Sábado, 22/Novembro/2008 .
 
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CRONOGRAMA OPERACIONAL

1) INTRODUÇÃO

Para garantir o sucesso do plantio e obter povoamentos com boa produtividade e qualidade, é necessário cumprir uma seqüência de atividades, além de utilizar mudas de bom padrão. Um cronograma operacional, que pode ser adotado principalmente pelo pequeno produtor, para o plantio de florestas, consiste de: demarcação da área a ser reflorestada; limpeza do terreno; combate às formigas; preparo do solo; escolha do espaçamento; método de plantio; adubação; controle da vegetação invasora.

2) DEMARCAÇÃO DA ÁREA

No momento da demarcação da área a ser reflorestada, devem ser localizados os olheiros de formigas cortadeiras, que consistem na principal praga de florestas plantadas. Deve também ser demarcada uma área em volta do plantio (aceiro), que servirá de proteção contra a ocorrência de incêndios na plantação ou para facilitar o seu combate.

3) LIMPEZA DO TERRENO

Consiste em eliminar a vegetação existente. Pode ser efetuada por meio de máquinas ou manualmente.

O pequeno produtor geralmente efetua o desmatamento manual. Essa prática normalmente é recomendada para pequenas áreas ou locais de difícil mecanização. Inicia-se com a roçada da vegetação existente e posterior derrubada das árvores de maior porte. A derrubada pode ser realizada com machado ou motosserra. Em locais com forte declividade, é efetuado um coroamento de 80 cm de diâmetro, manualmente. Em áreas de pastagem, recomenda-se a completa eliminação da vegetação em virtude da elevada competição das gramíneas que formam as pastagens, com a espécie de interesse, O material resultante deve ser enleirado, de preferência fora da área a ser plantada.

4) COMBATE ÀS FORMIGAS

Formigas cortadeiras dos gêneros Atta e Acromyrmex são extremamente prejudiciais para as florestas. Os maiores cuidados devem ser tomados na fase que antecede à implantação. Maior facilidade de localização dos formigueiros e maior eficiência no seu combate são conseguidas após a limpeza do terreno e antes de se revolver a terra. Entretanto, o combate às formigas cortadeiras deve ser estendido até a exploração final do povoamento. Segundo Silva & Paiva (1996), podem ser usados gases, pós-secos, líquidos termonebulizáveis ou iscas granuladas, seguindo a dosagem e a forma de aplicação recomendadas pelo fabricante. Porém os mais utilizados são as iscas granuladas, em razão da sua maior facilidade de manuseio, do maior rendimento operacional em áreas limpas e da baixa toxicidade ao ambiente. Em períodos chuvosos, as iscas devem ser colocadas em embalagens impermeáveis (porta-iscas), distribuídas sistematicamente em toda área em que o combate é necessário.

5) PREPARO DO SOLO

Espécies de rápido crescimento desenvolvem-se melhor em solos preparados. É importante que pelo menos uma camada de 15 a 20 cm de profundidade seja revolvida por meio de aração ou gradagem. Se o terreno for arado, deve-se efetuar a gradagem. Quando não é possível efetuar o preparo do solo, deve-se abrir covas.

No caso de solos compactados, pode ser necessário efetuar a subsolagem. A subsolagem consiste em movimentar o solo a uma profundidade próxima de 50 cm. A compactação do solo pode ser natural, em função da sua origem, ou provocada pelo intenso e constante tráfego de máquinas pesadas sobre os plantios, durante longo período. O subsolador rompe a camada endurecida abaixo da camada arável.

6) ESPAÇAMENTO DE PLANTIO

O objetivo do espaçamento é proporcionar a cada planta uma área suficiente para o desenvolvimento do seu sistema radicular e aéreo (Balloni, 1983). O espaçamento mais adequado depende dos hábitos de crescimento da espécie, finalidade da plantação, qualidade e volume esperados de madeira, possibilidades de manutenção, riscos de erosão e do número de cortes previstos. A escolha do espaçamento é baseada em alguns critérios fundamentais, que devem ser observados no momento da definição do plantio, que São:

* Propósito da plantação.
* Circunstâncias favoráveis para a poda e desbaste.
* Espécie a ser plantada.
* Possibilidade de mecanização das operações.
* Fertilidade do solo.


Rezende & Fonseca (1986) recomendam os seguintes espaçamentos para espécies de Eucalyptus: 2,0 m x 2,0 m, para lenha, carvão, escoramento e engradados; 3,0 m x 1,5 m, para lenha, carvão, celulose, cerca, postes e escoras, e 3,0 m x 2,0 m, para lenha, carvão, celulose, postes, vigas, esteios e serraria.

7) MÉTODOS DE PLANTIO

O plantio pode ser feito de três formas: manual, semi-mecanizado ou mecanizado. A escolha do método depende de uma série de fatores, que estão relacionados principal­mente com a disponibilidade de mão-de-obra, declividade do terreno e tipo de preparo de solo utilizado.

O plantio deve ser efetuado preferencialmente em dias chuvosos, o que proporciona umidade adequada do solo para uma efetiva sobrevivência das mudas. No caso de estiagem, deve-se proceder a irrigação no momento de plantio. A rega com 1 a 2 litros de água por planta é suficiente para assegurar o pegamento das mesmas. As mudas levadas ao campo devem ser plantadas no mesmo dia, para evitar o seu ressecamento e maximizar a sobrevivência. No caso daquelas produzidas em sacos de plástico, estes devem ser retirados. Após o plantio, o torrão não deve ficar exposto e o caule não deve ser recoberto.

Plantio manual - Inicia-se com a marcação das covas, no espaçamento adotado. Para a marcação das covas, são esticadas cordas ou correntes de 50 a 60 m de comprimento, com sinais ou marcas a cada um metro e meio ou mais, dependendo do espaçamento que se usar na linha de plantio. Essas cordas são esticadas e as covas abertas, com enxadões, nos locais defini­dos pela marca. Após todas as covas de uma linha estarem abertas, a corda é deslocada paralelamente à outra linha. Em seguida, as mudas são distribuídas manualmente em cada cova. Na seqüência, as mudas são ajeitadas nas covas, chegando terra até a altura do colo da planta. A adubação é feita direta­mente na cova de plantio, tendo-se o cuidado de misturar bem o adubo com a terra antes de plantar a muda. Isso evita a alta concentração de adubo próximo à raiz da muda, o que pode lhe causar a morte.

Plantio semi-mecanizado - Nesse método são usados sulcos em vez de covas. Esses sulcos devem ter uma profundidade de aproximadamente 25 cm e sempre que possível se­guindo as curvas de nível. A adubação é realizada simultaneamente com a abertura dos sulcos, sendo que o adubo deve ficar depositado no fundo do sulco, em filete contínuo. Nesse caso, o plantio também é realizado manualmente.

Em locais onde a topografia é suficientemente plana, associada a um preparo de solo bem feito, pode ser realizado o sulcamento cruzado. Nesse caso, o cruzamento dos sulcos irá determinar o local de plantio da muda. O sulcamento cruzado permite que os tratos culturais mecanizados sejam feitos nos dois sentidos. Uma das vantagens desse método, sobre o plantio manual, é que dispensa o uso excessivo de mão-de-obra.

Plantio mecanizado - Nesse método, o sulcamento e o plantio são realizados com uma plantadeira. Esta consiste de um disco que corta os restos de raízes do solo e prepara o caminho para o sulcamento e a distribuição do adubo. As mu­das são distribuídas por um operário sentado na parte traseira do trator.

Época de plantio - O plantio deve ser efetuado, preferencialmente, em dias chuvosos, o que proporciona umidade adequada do solo para uma efetiva sobrevivência das mudas. As mudas levadas ao campo devem ser plantadas no mesmo dia, para evitar seu ressecamento e maximizar a sobrevivência.

O tamanho das mudas é fundamental para que as plantas possam ter um desenvolvimento adequado. De acordo com Co­missão Estadual de Sementes e Mudas (1982), mudas de eucaliptos e pínus estão aptas para serem plantadas quando tiverem de 15 a 25 cm de altura e diâmetro de colo mínimo de 2,5 e 3,5 mm, respectivamente. Mudas muito pequenas são pouco resistentes a secas e geadas, e são mais susceptíveis ao ataque de formigas.

Replantio - Deve-se avaliar a porcentagem de falhas cerca de 30 dias após o plantio. Quando for superior a 10%, pro­ceder o replantio. As mudas utilizadas para o replantio devem ter a mesma idade e dimensão das mudas plantadas, para evitar diferenças no crescimento.

8) ADUBAÇÃO

Para espécies do género Eucaliptus, a adubação é ampla­mente utilizada, com resultados bastante satisfatórios. Em plantios de pínus, essa prática é mais recente e utilizada somente em solos com fertilidade muito baixa. Além dos fertilizantes químicos usados, é recomendado o uso de resíduos como fonte de nutrientes para as plantas e matéria orgânica para os solos. Evidentemente, a dosagem e a fórmula ideal de adubação são conseguidas com a experimentação local.

Para o eucalipto, a recomendação é feita principalmente em função do tipo de solo que se utiliza para o plantio. Em solos bastante pobres em nutrientes, o uso do adubo torna-se fundamental para que as plantas possam se desenvolver. Para solos mais férteis, a adubação é recomendada. Em ambos os casos, deve-se fazer a adubação em duas etapas. A primeira, realizada durante o plantio, utilizando nitrogênio, fósforo e potássio. A segunda adubação, também chamada de adubação de manutenção, é realizada quando o plantio tem de 30 a 36 meses de idade, e, nesse caso, recomenda-se o uso de nitrogênio, potássio e calcário.

Como recomendação geral para o eucalipto, recomenda­se na adubação de plantio o uso de 150 g por planta de NPK (10-30-10). Para a adubação de manutenção, é recomendado o uso de 90 kg/ha de cloreto de potássio (ou aproximadamente 50 g de cloreto de potássio por planta) e aplicação de 2 t de calcário por hectare. A aplicação de calcário tem como objetivo o fornecimento de cálcio e magnésio para as plantas. Em solos com altos teores de cálcio e magnésio, a adubação de manutenção é realizada apenas com o cloreto de potássio.

Para o pínus, respostas à adubação são observadas apenas em plantios realizados em solos pobres em nutrientes minerais. Nesse caso, recomenda-se a mesma adubação de plantio indicada para o eucalipto. A adubação de manutenção, quando necessária, deve ser realizada quando as plantas atingirem de 7 a 8 anos.

Além do adubo convencional, o uso de resíduos é uma prática bastante indicada, pois as plantas mostram respostas acentuadas em crescimento, com a aplicação desses materiais. Os resíduos normalmente utilizados são: cinzas, resíduos da indústria de celulose, resíduos orgânicos urbanos, estercos, etc. Deve-se atentar que os resíduos só devem ser utiliza­dos após devidamente curtidos. Deve-se aplicar de 3 a 6 kg de resíduo por planta, distribuídos em faixas de 2 m a 3 m, ao longo da linha de plantio. Essa operação deve ser realizada 6 meses após o plantio, tanto para pínus como para eucaliptos. Para o eucalipto, deve-se repetir a aplicação aos 2 anos de idade.

9) CONTROLE DA VEGETAÇÃO INVASORA

A freqüência de controle da vegetação invasora depende de suas características e da rapidez de crescimento da cultura de interesse. Geralmente, no primeiro ano de plantio, são necessárias três capinas. No segundo, duas roçadas, e no terceiro ano, uma roçada. Para eucaliptos, devem ser efetuadas até que a árvore atinja 3 m de altura; essa altura pode ser atingida em 12 meses. Segundo Rezende e Fonseca (1986), quando as árvores atingirem altura média de 4 m, pode-se substituir os tratos culturais por pastoreio (bezerros, cabras e ovelhas) e, a partir do terceiro ano, animais adultos, como bois, podem ser utilizados.

A vegetação invasora pode ser também controlada eficientemente com herbicidas. Herbicidas, que contenham glifosate por princípio ativo, têm-se revelado eficientes no controle de ervas daninhas. A susceptibilidade das ervas a esse produto varia em função da espécie. Geralmente, recomenda-se aplicar de 1 a 2 litros do produto comercial, pós-emergente, por ha, para controle de ervas anuais, e de 4 a 6 litros por hectare, para o controle de ervas perenes. O herbicida deve ser aplicado apenas sobre a vegetação invasora, evitando o contato com a cultura economicamente explorada. Deve-se evitar a aplicação:

* Em dias com ventos fortes (intensidade superior a 8m/h).
* Quando houver risco de ocorrência de chuvas dentro de um período de seis horas, após a aplicação.
* Quando a planta estiver com crescimento vegetativo pa­ralisado, por falta de umidade ou frio intenso.

Fonte: Reflorestamento de propriedades rurais para fins produtivos e ambientais
José Alfredo Sturion e Antonio Francisco Jurado Bellore.

 

 
 
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