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| Agricultura |
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Quinta-Feira, 5 de Março de 2009 |
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Cucumis melo L.) |
Originário da África ou da Índia, o melão, da família
Cucurbitaceae, é cultivado na Europa e Ásia desde os primórdios da Era Cristã. No
Brasil, é conhecido desde o século XVI, quando foi trazido provavelmente pelos escravos.
Mais recentemente (século XIX), ocorreu uma segunda via de introdução de melão no
País, pelos imigrantes europeus, quando se iniciou, de fato, a expansão da cultura nas
regiões Sul e Sudeste. Era considerado, até alguns anos atrás, um artigo "de
luxo", já que o consumo interno era suprido, em sua maior parte, com melão
importado da Europa. No entanto, em poucos anos, o processo inverteu-se e o Brasil passou
de importador a grande exportador dessa hortaliça graças, principalmente, às
condições climáticas favoráveis existentes na região Nordeste. Em função da
necessidade de resistência ao transporte a longa distância e ao armazenamento, o cultivo
do melão ficou restrito ao tipo amarelo valenciano, de origem espanhola. Outra opção
para o Estado de São Paulo seria o plantio de melões considerados finos, por sua
qualidade quanto ao sabor, aroma e textura. Como não apresentam resistência ao
transporte e têm alta suscetibilidade a doenças, seu cultivo deve ser protegido. |
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| Cultivares |
| tipo
amarelo valenciano - AF-522, AF-646, Amarelo, Amarelo Americano, Amarelo CAC, Amarelo
das Canárias, Amber, Birdie, Eldorado 300, Gold Mine, lmperial, Kinka, Melody, Pingo de
Mel, Rio Sol, Utopia, Yellow King, Yellow Queen e Yellow Star; tipo cantaloupe - Don Carlos, Don Domingos, Hale's Best Jumbo e
Hy-mark;
tipo pele de sapo - Bayon, Daimiel, Manchado, Piel del Sapo e
Sapiel;
tipo gália - Alma, Cruega, Galia, Galicum e Galor; tipos
especiais- Alice, Bonus 11, Caipira, Crugar, Golden Honey Dew (casca amarela), Green
Flesh, Honey Dew, Monica, Moonshine, Nero, New Prince, Nice, Orange Flesh, Polidor,
Redondo Gaocho Caipira, Sunrise e Yellow Honey Dew. |
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| Clima e Solo |
| a exemplo da melancia,
exige clima quente para o seu desenvolvimento. É uma das cucurbitáceas mais exigentes
quanto ao solo, que deve ter textura média e ser leve, solto, arejado e bem drenado. O PH
deve estar em torno de 6,4 a 7,2, embora tolere terras levemente ácidas. É bastante
suscetível a ventos frios e não suporta geadas. |
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| Época de plantio |
| agosto a fevereiro. Em
locais onde a temperatura média anual concentra-se na faixa de 18° a 35° C, inclusive
à noite, pode ser cultivado o ano todo. Temperaturas acima de 35° C prejudicam o
desenvolvimento da planta, provocando queda de flores e frutos novos; quando acompanhadas
de ventos quentes causam rachaduras em frutos desenvolvidos. Temperaturas abaixo de 15° C
provocam a paralisação do crescimento e da atividade dos polinizadores. As plantas de
melão não suportam ventos frios e geadas. |
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| Espaçamento |
| 2 x 1 m (duas
ramificações) e 2 x 1,5 m (três ramificações). |
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| Dimensões da cova |
| no mínimo, 30 cm de
diâmetro x 25 cm de profundidade. |
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| Sementes necessárias |
| 1.000 a 1.500 g/ha. |
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| Semeadura e
desbate |
| colocam-se 4 a 5
sementes/cova; o primeiro desbaste, feito na fase de uma a duas folhas verdadeiras,
deixando-se três plantas/cova e o segundo, no estádio de quatro folhas deixando-se uma
planta/cova. |
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| Calagem |
| aplicar calcário para
elevar a saturação por bases a 80% e o teor de magnésio do solo para, no mínimo, 8
mmolc/dm3. |
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| Adubação orgânica |
| 20 a 40 t/ha de esterco
de curral curtido ou 5 a l0 t/ha de esterco de galinha, cerca de 30 dias antes da
semeadura. |
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| Adubação mineral de
plantio |
| 30 kg/ha de N, 120 a 240
kg/ha de P2O5 e 30 a 90kg/ha de K2O, conforme a análise
de solo. Acrescentar, no plantio, juntamente com N, P e K, 20 kg/ha de S e, em solos
deficientes, 1 kg/ha de B e 3 kg/ha de Zn. |
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| Adubação mineral de
cobertura |
| 50 a 100 kg/ha de N e 50
a 100 kg/ha de K2O, dividindo-os em três aplicações aos 15, 30 e 50 dias
após a germinação. As quantidades maiores ou menores de adubo dependerão da análise
de solo, cultivar utilizado e produtividade esperada. Em solos arenosos pobres, aplicar
molibidato de amônio o de sódio na base de 20 g/100 litros de água, em três
pulverizações: na fase de duas folhas verdadeiras, na formação da primeira rama e logo
após o aparecimento da primeira flor feminina. |
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| Irrigação |
| nas fases de germinação
e emergência, fornecer água em quantidades moderadas. Durante o período de
desenvolvimento das ramas, florescimento e frutificação, as irrigações devem ser mais
freqüentes, diminuindo durante o desenvolvimento dos frutos. Nessa fase, excesso de água
pode afetar a qualidade do produto. Nos cultivos em grande escala, a irrigação
localizada, com fertirrigação, é o sistema mais utilizado; porém, é preciso tomar
cuidado com o manejo do solo pois a fertirrigação pode trazer problemas sérios de
salinização. |
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| Condução, desbrota e
capação |
| a planta pode ser
conduzida com duas ou três ramificações secundárias. Para isso, elimina-se o ponteiro
na fase de 4 a 5 folhas verdadeiras, deixando crescer duas a três ramas vigorosas. Dessas
ramas, surgirão brotações e nelas os frutos. Eliminar os frutos até o 4° ou 5° nó,
permitindo a frutificação do quinto ao sétimo. nós, quando se escolhe um fruto
perfeito por rama, eliminando-se os demais. |
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| Outros tratos
culturais |
| calçar os frutos para
evitar o contato direto com o solo; girá-los periodicamente para que adquiram coloração
uniforme; cobri-los com papel (jornal) para evitar queima pelo solo. Manter a cultura no
limpo, livre de plantas daninhas. |
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| Principais pragas |
| mosca-das-frutas,
pulgão, broca-do-fruto, broca-da-haste, minador da folha, vaquinhas, caro, mosca-branca
(silverleaf whitefly), lagarta-rosca e nematóide. Produtos registrados para controle: inseticidas
químicos - acephate, carbaryl, cartap, deltamethrin, dimethoate, fenthion, malathion,
naled, parathion methyl, pyrazophos, trichlorfon e vamidothion; inseticida biológico
- Bacillus thuringiensis; acaricidas - acephate, azinphos ethyl, dimethoate,
enxofre, ethion, fenthion, mevinphos, naled, quinomethionate e vamidothion; nematicida -
disulfoton. O prateamento da aboboreira (squash silverleaf) uma anomalia nova e
sria, cuja ocorrência está relacionada a altas infestações de mosca-branca
(Bemisia argentifolii Bellows & Perring). Pulverizações com óleo mineral a 0,5%,
sozinho ou em mistura com outros inseticidas, têm sido a forma de controle mais utilizada
embora nem sempre com resultados satisfatórios. Porem é preciso cautela, pois as
cucurbitáceas são muito suscetíveis fitoxicidade causada pelo óleo. |
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| Principais
doenças |
| oídio, cancro das hastes
(podridão de micosferela), míldio, antracnose, mancha-angular, podridão do fruto,
virose (vírus da mancha-anelar do mamoeiro). Produtos registrados para controle: fungicidas
- benomyl, captan, chlorothalonil, chlorothalonil + oxidoreto de cobre, enxofre,
fenarimol, folpet, hidróxido de cobre, iprodione, oxicloreto de cobre, oxicloreto de
cobre + mancozeb, pyrazophos, quinomethionate, thiophanate methyl, thiophanate methyl +
chlorothalonil, triadimefon e triforine. A "barriga d'água" um problema
comum em melão, sendo caracterizada por fermentação química interna dos frutos e que
pode ter várias causas: maturação excessiva (passa do ponto de colheita); excesso de
nitrogênio; excesso de chuva; infeção bacteriana; ou vários desses fatores associados
(causa mais comum). |
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| Colheita |
| a partir de 75 a 90 dias
do plantio, iniciar a colheita nas horas frescas, conservando os frutos em lugar
sombreado. Tratá-los por imersão, em solução de benomyl (100 g/100 litros de água)
secando-os a sombra. Não riscar nem abrasar a casca durante as operações que vão da
colheita ao encaixotamento. |
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| Comercialização |
| os frutos padrão para
exportação são os de tipos 6, 7 e 9, ou seja, uma caixa de l0 kg deve conter, no
mínimo, 6, 7 e 9 melões respectivamente. Para consumo interno, existe preferência pelos
tipos 6 e 8 e caixa de 14 kg. |
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| Produtividade
normal |
| 20 a 30 t/ha; híbridos:
30 a 40 t/ha. |
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| Rotação |
| evitar outras
cucurbitáceas. |
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| Observação |
| evitar a aplicação de
defensivos, principalmente de inseticidas, no período da manhã para não eliminar os
insetos polinizadores. |
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| Fonte: Boletim
200 do IAC - SP |
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