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Agricultura Sábado, 22 de Novembro de 2008
 

 

 ( Fragaria x ananassa duch.)
 
Planta herbácea, rasteira e perene da família Rosaceae, propagada por via vegetativa, através de estolhos. Em geral, a cultura para produção de frutos é renovada anualmente. As abelhas são imprescindíveis para polinização. Botanicamente, a parte comestível é um pseudo-fruto, originário do receptáculo floral que se torna carnoso e suculento. Os frutos verdadeiros são pequenos aquênios, vulgarmente denominados "sementes". A pane comestível, adiante referida simplesmente por fruto, é rica em vitamina C. O ácido elágico nela presente pode ter efeito medicinal. A comercialização, feita ao natural, congelada (frutos inteiros ou polpa) e polpa desidratada. No Brasil, São Paulo lidera a produção de morangos (31.266 toneladas em 816 ha, 1991). Cerca de 70% da produção, comercializada in natura e o restante para industrialização. O custo de produção chega a R$ 30.000,00/ha e cerca de 40% refere-se à colheita e embalagem. Quase toda a produção paulista, feita nas regiões de Atibaia, Jundiaí e Piedade. Preços mais elevados ocorrem até julho, antes do pico de produção que ocorre em agosto e setembro.
 
Cultivares
(a) para consumo ao natural: IAC Campinas, AGF-80, Sequóia e IAC Princesa Isabel; (b) para consumo ao natural ou congelamento: Chandler, Dover, Oso Grande, Korona, Toyonoka e Reiko, sendo os dois ótimos mais exigentes em frio; (c) especial para congelamento: IAC Guarani; (d) com potencial para cultivo: Cruz, Florida Belle, Pajaro, Raritan, Fern e Selva; (e) para possível uso ornamental (vasos): Santana, Tristar e Fragaria vesca.
 
Clima e Solo
Fern, Selva e Tristar são cultivares insensíveis ao fotoperíodo; F. vesca é de dias longos; os demais mencionados são de dias curtos. Temperatura acima de 30° C inibe a floração e estimula a produção de estolhos. A geada danifica flores e frutos, especialmente os imaturos não protegidos pelas folhas. O desenvolvimento vegetativo ocorre a partir de 9° C. O morangueiro desenvolve-se melhor em solos de textura média, sem excesso de umidade e de matéria orgânica.
 
Época de plantio
(a) produção de mudas - setembro a novembro; (b) produção de frutos - depende do clima da região de cultivo, variando do início de fevereiro a fins de abril; o plantio escalonado (até junho), em regiões frias, permite estender a colheita de frutos de melhor qualidade, obtidos das primeiras floradas.
   
Espaçamento e mudas necessárias
(a) produção de mudas - setembro a novembro; (b) produção de frutos - depende do clima da região de cultivo, variando do início de fevereiro a fins de abril; o plantio escalonado (até junho), em regiões frias, permite estender a colheita de frutos de melhor qualidade, obtidos das primeiras floradas.
 
Produção de mudas
deve constituir atividade distinta da produção de frutos, envolvendo a produção de matrizes em telado (melhor com cobertura de filme plástico) e a multiplicação das matrizes em campo. Propagar em telado apenas clones livres de vírus. Adotar sistema de propagação em bandejas ou outros recipientes, sem contato direto com o solo, usando substrato ou composto desinfestado quimicamente ou por calor. Manter rigoroso controle fitossanitário e tomar medidas para evitar mistura de cultivares. Efetuar a multiplicação de campo em terrenos de meia encosta, afastados pelo menos 300 m de outros lotes de morangueiro. Usar glebas em pousio, ou cultivadas com leguminosas ou gramíneas, por 2 anos ou mais. Viveiristas especializados, registrados e fiscalizados pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento, vêm produzindo a maior parte das mudas consumidas em São Paulo, contudo, muitos produtores de frutos produzem as mudas que usam. O Instituto Agronômico vem fornecendo matrizes básicas de morangueiro livres de vírus desde 1967. Cooperativas e empresas privadas, algumas utilizando micropropagação in vitro, vêm produzindo matrizes.
 
Técnica de plantio
canteiros com 20 a 50 cm de altura, em função da textura do solo (maior para os pesados), e geralmente 1,2 m de largura, para 4 fileiras de plantas. As mudas são normalmente comercializadas de raiz nua e plantadas diretamente nos canteiros de produção de frutos. O enviveiramento em canteiros durante 30 dias, ou o estabelecimento em recipientes, diminui a morte de mudas no transplante e propicia colheitas mais precoces. O plantio é manual.
 
Controle da erosão
usar canteiros em nível, canais para escoamento de água de chuva e forração dos carreadores internos com capim seco.
 
Calagem e adubação
fazer a calagem e adubação com base em análise de solo. Aplicar calcário para elevar a saturação por base a 80% e o teor mínimo de Mg no solo a 9 mmolc/dm3. Na produção de mudas, para solo de média fertilidade, aplicar 750 kg/ha de P2O5. Na cova, aplicar l0 g de N, 35 g de P2O5 e 20 g de K2O. Na produção de morangos, fazer adubação de pré-plantio nos canteiros 25 a 30 dias antes do transplante das mudas: 15 a 30 t/ha de esterco de curral curtido ou 1/4 da quantidade em esterco de galinha, 40 kg/ha de N, 300 a 900 kg/ha de P2O5 e 100 a 400 kg/ha de K2O. Aplicar o potássio, de preferência na forma de sulfato de potássio. Em cobertura, aplicar 180 kg/ha de N e 90 kg/ha de K2O, parcelando em 6 aplicações mensais, espaçadas de um mês, sendo a primeira no início da floração. O K e o Ca favorecem a firmeza do fruto. Aplicar micronutrientes em função da necessidade das plantas, maior a partir de julho (segunda florada), utilizando pulverização com os produtos: ácido bórico (5 a 15 g/100 litros de água; fora do período de floração usar de 50 a 150 g), sulfato de zinco (100 a 200 g) e sulfato de cobre (250 a 500 g).
 
Controle de pragas e doenças
o uso de mudas sadias, básico para o controle de vírus, fungos, bactérias, nematóides e mesmo de algumas pragas, como o caro do enfezamento. Em São Paulo, o uso de matrizes básicas sadias praticamente garante a produção de mudas livres de vírus. Algumas doenças, como mancha-das-folhas, e pragas, como afídeos e formiga lava-pés, geralmente podem ser controladas quimicamente. Atenção deve ser dada à lagarta-rosca no transplante, ao ácaro-rajado em períodos de temperatura elevada e às podridões de fruto em períodos chuvosos. Para doenças fúngicas importantes, como "chocolate", "flor-preta", murcha de Verticillium e podridões de Phytophthora, adotar medidas preventivas: tratamento de mudas por imersão com fungicidas, plantio em solo não contaminado ou desinfestado, controle da umidade do solo (irrigação e drenagem), uso de adubação equilibrada (evitar excesso de nitrogênio), remoção e destruição de plantas afetadas. Esta última medida deve ser aplicada com rigor para a mancha-angular (Xanthomonas fragariae), visando erradicar a bactéria causal. Rotação de cultura, revolvimento do solo e solarização são medidas complementares para fungos de solo e nematóides. Irrigação por aspersão pode auxiliar no controle do ácaro rajado. Usar produtos químicos de forma criteriosa, especialmente quanto ao período de carência. Visando evitar ao aparecimento de formas resistentes, alternar produtos com diferentes ingredientes ativos, entre os cadastrados para morangueiro em São Paulo: (a) inseticidas: abamectin, carbaryl, dimethoate, fenpropathrin, malathion, mevinphos, naled e dichlorvos; (b) fungicidas: benomyl, captan, dodine, enxofre, fluazinam, folpet, hidróxido de cobre, iprodione, mancozeb + thiophanate methyl, oxicloreto de cobre, oxicloreto de cobre + mancozeb, procimidone, thiram e thiophanate methyl; (c) acaricidas: abamectin, cyhexatin, enxofre, fenpropathrin, naled e propargite. Outros produtos cadastrados: metaldeyde (iscas moluscicidas para controle de lesmas), brometo de metila e dazomet (desinfestação de canteiros ou de substratos).
 
Tratos culturais especiais
usar cobertura do solo dos canteiros de produção de frutos com lençol plástico (o preto controla mato), fitas de madeira picada ou casca de arroz. Fazer desbaste do excesso de folhas para arejamento das plantas.
 
Irrigação
períodos críticos ocorrem logo após o transplante, na formação dos botões, floração e frutificação. Durante o período de colheita, irrigar a cada 2 dias, na capacidade campo. Excesso de umidade na planta dificulta a polinização.
 
Colheita
o início depende do clima da região, variando de abril (Piedade, culturas de "soqueira" ou "tiguera"), maio (Atibaia/Jundiaí) a junho (regiões de clima mais quente), podendo estender-se até dezembro, com pico em agosto e setembro. É feita manualmente, no ponto de colheita "maduro" para fins industriais ou de ½ a ¾ "maduro", para comercialização in natura. São necessárias seis pessoas fixas por hectare e mais seis no pico de colheita.
  
Produtividade normal
30 a 35 t/ha, podendo chegar a mais 60 t/ha (800 g/planta).
   
Rotação
cereais e leguminosas para adubação verde. Tem sido lucrativo o cultivo de alface, abobrinha ou beterraba (esta em Piedade), logo após o morango, devido ao preço elevado dos produtos no verão, aproveitamento de resíduos de adubação, dos canteiros e de mão-de-obra.
 
Comercialização
em caixetas (cumbucas), de papelão ou de poliestireno expandido (isopor), com capacidade entre 250 e 800 g. Os frutos geralmente são dispostos em fileiras, em uma ou duas camadas. Para mercado mais nobre se utiliza caixeta plástica transparente e com tampa. A classificação é por tamanho, sendo "extra" acima de 14 g e "de primeira" de 6 a 14 g. Para uso industrial a fruta é embalada solta, em caixas de madeira com 5 kg. A conservação do fruto é favorecida em câmara fria a 2° C e 90% de umidade relativa do ar ou atmosfera com 20% de gás carbônico (CO2); a cobertura da embalagem com filme plástico retarda a deterioração por reter CO2 produzido pelo frutos.
 
 
Fonte: Boletim 200 do IAC - SP

 


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