Quarta, 7/Janeiro/2009 . Home | Cadastre-se | Listas | Webmail | Ruralnoticias
  Busca no site:
                                Esqueceu a senha clique aqui
                                              Não é cadastrado clique aqui
 

Selecione uma opção para mandar sua mensagem
Iniciante nas listas?clique aqui para se cadastrar

e-mail:

Senha:

@ruralnet.com.br

 
     Dados Tecnicos>>Agricultura>>Industriais>>Palmito-Açai

 

 
(Euterpe oleracea Mart. e Euterpe spp com perfilhamento.)
 
O açaizeiro, Euterpe oleracea Mart., é palmeira tropical, perene, nativa da Amazônia oriental, predominante ao longo dos igarapés, terrenos de baixada e áreas com umidade permanente. Possuindo farto perfilhamento desde 2 a 3 anos de idade possibilita, teoricamente, uma exploração sustentada de suas populações nativas para palmito. Seus frutos são largamente utilizados para a produção de um refresco ("vinho" de açaí), base da alimentação dos povos ribeirinhos da Amazônia oriental. A exploração do palmito do açaizeiro no estuário amazônico teve início a partir dos anos 60 devido a escassez de palmito na Região Sudeste do país, gerada pela extração indiscriminada e predatória. Atualmente esta espécie , responsável por cerca de 90% da produção nacional. Possui palmito do tipo doce, mas de consistência e textura mais rígida do que o das espécies E. edulis, E. precatoria e E. espiritosantensis.
 
Manejo dos Açaizais Nativos: A melhor forma de exploração de palmito de Açaizais nativos é o sistema de manejo sustentado, que exige atenção aos seguintes itens:
 
Inventário
estimar o número de açaizeiros por área nas diferentes classes de desenvolvimento, definindo estoque imediato para corte, número de palmeiras para reposição das plantas cortadas, número e tipo de intervenções necessárias para aumentar ou regular o estoque.
  
Colheita seletiva
partindo de uma área não explorada, realizar a extração do palmito dos estipes (troncos) grandes (com diâmetro á altura do peito superior a 10 cm), para estimular o perfilhamento e fornecer melhores condições de insolação e menor competitividade com os perfilhos intermediários. A prática de deixar um estipe grande por touceira aumenta a regeneração natural via sementes, permitindo ainda a colheita de frutos juntamente com a produção de palmito na mesma touceira. Deixar 50 ou mais plantas com um estipe adulto (em pleno florescimento e frutificação) por hectare para assegurar a preservação da espécie.
 
Intervalo de corte
é estimado em 4 anos, na mesma área. No manejo sustentado, a produção, a curto prazo e por área, é menor do que no sistema predatório. Porém, garante, a longo prazo, a produção contínua das fábricas beneficiadoras de palmito e a qualidade do produto (apenas em relação a diâmetro e textura).
 
Recuperação de Açaizais degradados
dois procedimentos são indicados: (1) raleamento da touceira deixando 2 a 3 perfilhos mais desenvolvidos por planta. Deixar a área em descanso (sem cones) por 4 anos procedendo-se após, á colheita seletiva. (2) para Açaizais muito degradados fazer ainda semeaduras sucessivas, a cada dois anos, utilizando-se sementes de outras localidades. Plantio por mudas pode ser usado em áreas com m distribuição de plantas. Usar adubos orgânicos e minerais mediante análise de solo. Seguir os procedimentos indicados para o cultivo.
 
Cultivo do açaizeiro
 
Cultivares
a própria espécie botânica (com variações morfológicas e de desenvolvimento marcantes dependendo do local de coleta) ou híbridos entre essa espécie e o palmiteiro (Euterpe edulis). Esses híbridos são plantas rústicas, que perfilham, precoces e com boa qualidade de palmito.
 
Clima e solo
clima tropical úmido (temperatura média anual acima de 22°C e precipitação acima de 1. 600 mm por ano). Não tolera geadas, especialmente quando jovem (até 60 cm de altura). Não é exigente em solos, crescendo mesmo em solos pobres e ácidos. No entanto, desenvolve-se mais rapidamente em solos com maior fertilidade. A produção de palmito em áreas de baixa fertilidade deve-se basear na reposição de nutrientes através de adubações anuais parceladas.
 
Propagação
por sementes colhidas de palmeiras selecionadas (diâmetro, número de folhas e sanidade), que devem estar em conjunto com outras da mesma espécie e no mesmo estádio de desenvolvimento, para evitar a autofecundação forçada. Marcá-las de modo permanente, porém sem afetá-las, para fácil reconhecimento.
 
Colheita de sementes
colher frutos pretos e opacos, quase cerosos, na estação seca (agosto a dezembro), em sua região de origem. Colher somente os frutos que estão no cacho, que possui de duas a cinco mil sementes. Colocar um plástico ou encerado embaixo da palmeira e derrubar os cachos maduros sobre ele, recolhendo apenas os frutos que caírem sobre o encerado.
 
Armazenamento das sementes
as sementes do açaizeiro perdem rapidamente o poder germinativo, porém, é possível armazená-las por até, cinco meses, desde que acondicionadas em sacos plásticos bem fechados e mantidos sob refrigeração (temperatura entre 5 a 10 graus C).
 
Germinação
leva de 3 a 11 meses para se completar. Despolpar os frutos para acelerar o processo germinativo e permitir a obtenção de lotes homogêneos de mudas (germinação em 2 a 5 meses). Para isso, acondicionar os frutos recém-colhidos em sacos plásticos e umedecer. Fechar o saco, mantendo-o à sombra e à temperatura ambiente. Depois de 3 ou 4 dias, atritar os frutos sobre as malhas de peneiras grossas (de café ou de feijão), em água corrente, para separação da polpa, ou imergir totalmente os frutos em água, trocando-a diariamente, para não fermentar. Após três a quatro dias, despolpar.
 
Semeadura direta
é mais econômico do que o de plantio de mudas. Para evitar ataque de insetos, roedores e outros animais, enterrar as sementes entre 3 e 4 cm. Semear de 2 a 3 sementes por cova, com o auxílio de um chuço, e cobrir com terra. Não desbastar as mudas. Efetuar semeaduras na mesma área a cada dois anos para manter um povoamento de plantas em diferentes idades ou estádios. Semear de agosto até dezembro.
 
Transplante de mudas
a utilização de plântulas com raiz nua de 15 a 20 cm, retiradas de açaizeiros nativos, deve ser recomendada apenas para plantio em área adjacente.
  
Formação de mudas em viveiro
ganham-se 2 a 3 anos em desenvolvimento, no campo, comparado com a semeadura direta. Colocar uma semente despolpada por saco plástico de polietileno preto (20 a 25 cm de altura x 20 cm de boca x 8 a 12 mm de espessura e com 6 a 8 furos) cheio com 2 a 3, 5 kg de terra de boa qualidade, rica em matéria orgânica, retirada da superfície da própria mata. Na falta, utilizar mistura de 3 partes de solo e 1 de matéria orgânica bem curtida (vide adubação do substrato). Irrigar diariamente. O sombreamento do viveiro deve ser semelhante àquele que a muda receber quando estiver no local definitivo. Plantar as mudas no campo, com 20 a 30 cm de altura e com 3 a 4 folhas vivas (entre o décimo e o décimo quarto mês após a semeadura).
 
Adubação do substrato
usar solo de boa qualidade, acrescido de uma fonte de matéria orgânica curtida (esterco de curral, ou composto de lixo, ou composto de usina de beneficiamento de algodão, ou palha de café, ) na proporção de 3:1, em volume. Acrescentar calcário para elevar a saturação por bases a 60%, e mais 500 g de P2O5 e 100 g de K2O por m3 do substrato (terra + esterco).
 
Preparo da área para semeadura ou plantio
sob mata nativa, fazer antes uma roçada da vegetação mais baixa, poupando-se as essências nativas de valor econômico; em áreas sem cobertura vegetal fazer antes um sombreamento temporário com guandu, tefrósia ou leucena. Em consórcio com seringueiras ou outras plantas perenes, seguir o mesmo preparo de solo da cultura principal.
 
Plantio de mudas
Deve ser feito no período das águas, com cuidado para não danificar a palmeira. Cortar o saco plástico na altura de 2 cm da base, podando as raízes e, em seguida, cortar e retirar o saco e colocar a muda na cova com o torrão inteiro, preenchendo os espaços vazios com terra de superfície, comprimindo para manter a muda firme.
 
Densidade de plantio ou semeadura
para o cultivo solteiro: 2, 5 x 1, 5 m. Em área de mata nativa, efetuar a semeadura direta (três sementes novas por cova) a cada um ou dois passos, cada linha separada das outras por dois ou três passos. Repetir a operação a cada dois anos, sempre com o cuidado de não pisar as plântulas de açaizeiros, nativas ou não, já existentes. No cultivo consorciado, plantar duas a três linhas de açaizeiros na faixa central da entrelinha do cultivo principal, com o espaçamento entre as plantas de 2, 5 ou 1, 5 m. É comum consórcio com seringueiras (Hevea brasiliensis).
 
Tratos culturais
roçadas periódicas para apressar o desenvolvimento, poupando as essências nativas de valor. Não capinar, devido ao sistema radicular superficial.
 
Manejo de perfilhos
para aumentar o desenvolvimento da touceira e permitir corte de palmito a curto prazo, manejar os perfilhos deixando 3 a 4 bem distribuídos por touceira, e um perfilho novo por ano, a partir do terceiro ano de plantio. Assim, possível iniciar o cone para palmito entre o quarto e o quinto ano.
 
Colheita do palmito
colher somente em palmeiras que apresentem DAP (diâmetro altura do peito) acima de 10 cm, poupando um estipe por planta para a produção de sementes, quando a densidade for baixa. Evitar queda brusca do palmito, pois isso causa escurecimento interno e rápida decomposição. Fazer o cone alto (50 a 80 cm) para reciclar os nutrientes para os perfilhos na touceira.
 
Intervalo ou ciclo de corte
em torno de 2 a 4 anos, na mesma touceira, para palmito de primeira qualidade.
 
Adubação
Normalmente as áreas de distribuição natural do açaizeiro são ricas em nutrientes, não devido às condições de solo, mas sim à rápida decomposição da matéria orgânica ("litter') em sua superfície. Em áreas muito degradadas (mata e açaizal) fazer adubação para recuperação após análise do solo.
 
Doenças e pragas
A principal doença do açaizeiro é a antracnose. Ela só é limitante em condições de viveiro e em regiões frias e úmidas. Em condições de campo, não há nenhuma doença séria que mereça controle. Já com relação a insetos, temos os de viveiro (gafanhotos, cigarrinhas, cochonilhas, pulgões e caros) e os de campo (especialmente o coleóptero Rhyncophorus), que em culturas e explorações bem manejadas, não chegam a ser problema.
 
Duração e pós-colheita do palmito
Após colhido, dura no máximo 5 a 7 dias, quando mantido com 4 capas (bainhas externas). Escurece e apodrece devido á ação de fungos, comuns em matéria em decomposição. O tombo e o corte acidental de partes do palmito aceleram a decomposição.
 
 

Fonte: Boletim 200 da IAC-SP

 
Bate papo | Cadastre-se | Webmail | Suporte | Contato
Ruralnet 2006..Todos os direitos reservados Politica de privacidade |