| |
| (Bactris gasipaes Kunth.) |
Palmeira originária da América Latina, com características morfológicas distintas o
que proporciona a existência de várias raças. No Brasil, ocorre no Pará, Amazonas,
Acre, Rondônia e Mato Grosso. Palmeira perene, adaptada às condições de maior
insolação, comum na Floresta Amazônica em suas múltiplas raças. Apresenta
perfilhamento e é encontrada em dois tipos básicos: com e sem espinhos no estipe e no
pecíolo e ráquis das folhas. Produz frutos ricos em carboidratos e vitamina A, que são
consumidos após cozimento em água e sal. É adequada à produção de palmito e ao uso
como ornamental. É bastante precoce (1, 5 a 2 anos para o primeiro cone), com palmito
branco-amarelado e mais doce que o das demais espécies. Seu palmito não escurece
rapidamente após o corte, mas é igualmente perecível. |
|
|
| Cultivar |
| a
própria espécie. Dar preferência às raças que apresentam plantas sem espinhos no
pecíolo/ráquis e no estipe. |
| |
|
| Clima e solo |
| maior
desenvolvimento vegetativo em regiões de clima quente e úmido, com temperatura média
anual de 22°C e precipitação acima de 1. 600 mm por ano e bem distribuída. Quando
jovem (até 50 cm), não tolera geada. Prefere solos de textura média a arenosa e com boa
drenagem. Áreas planas ou levemente onduladas são as indicadas, pois facilitam o
plantio, a condução, a colheita e mesmo o transporte do palmito. |
| |
|
| Propagação |
| por sementes.
Uma pupunheira produz até, 8 cachos por ano, com até, 350 frutos por cacho. A época de
frutificação normal é de janeiro a abril. |
| |
| Colheita de frutos |
| para a
formação de mudas, colher os frutos maduros, mas não em estádio avançado de
maturação, pois a polpa propicia o desenvolvimento de uma série de fungos que podem
afetar a semente e prejudicar a germinação. |
| |
| Preparos das sementes |
| retirar as
sementes dos frutos, tão logo colhidos. Lavá-las e atritá-las sobre superfície áspera
(peneira de malha grossa). Em seguida, tratá-las com água sanitária a 50% por 15
minutos. Deixar secar á sombra por um dia e colocá-las para germinar. |
| |
| Semeadura |
| em canteiros
com areia e serragem curtida (1:1, em volume) ou mistura com terra, com largura de 1 m e
comprimento desejado. O uso apenas de areia ou serragem curtida exige irrigações mais
freqüentes, mas facilita a retirada da plântula por ocasião da repicagem. Para semear,
espalhar uma camada uniforme de sementes e cobrí-las com uma camada de 2 a 3 cm de areia
ou serragem. Para evitar a rega constante fazer a semeadura em canteiros dispostos em
viveiro rústico (mais ou menos 50% de sombra inicial). |
| |
| Regas |
| regar
periodicamente com o cuidado de não encharcar o canteiro, evitando o apodrecimento das
sementes. |
| |
| Germinação |
| após 60 a
120 dias, 70 a 80% das sementes já germinaram. Plântulas germinadas tardiamente (após 8
a 12 meses do início do processo) devem ser descartadas, pois são inferiores em
desenvolvimento e produção. |
| |
| Viveiro |
| para a
repicagem das sementes germinadas utilizar sacos plásticos encanteirados em viveiro
rústico. Encher os sacos plásticos pretos (de 15 cm de diâmetro por 25 cm de altura)
com o substrato (vide adubação do substrato) e colocar os sacos em canteiros (10 a 12
sacos por linha) com protetores nas laterais (madeira, bambu, etc. ), sob viveiro rústico
(50% de sombra). Retirar a sombra progressivamente, à medida que a planta se desenvolve.
A muda pronta para transplante (5 a 6 folhas, 20 a 30 cm de altura) deve estar
completamente adaptada às condições de luz do local definitivo. |
| |
| Adubação do substrato |
| usar solo de
boa qualidade, acrescido de uma fonte de matéria orgânica curtida (esterco de curral, ou
composto de lixo, ou composto de usina de beneficiamento de algodão, ou palha de café)
na proporção de 3:1, em volume. Acrescentar calcário para elevar a saturação por
bases a 60%, e mais 500 g de P2O5 e 100 g de K2O por m3
do substrato (terra + esterco). Aplicar 90 g de K2O por m3 do
substrato já envasado, parcelado em três vezes, a partir do 4‘ mês, dissolvendo o
adubo na água de irrigação. |
| |
| Repicagem e seleção |
| iniciar
quando a parte aérea tiver de 1 a 2 cm. Nessa fase (estádio de "vela"),
eliminar plantas com espinhos no pecíolo/ráquis, ou plântulas em lotes separados das
sem espinhos. Descartar as de germinação tardia e transplantar com profundidade em torno
de 2 cm. Após a repicagem, regar os sacos, repetindo a rega a cada 2 dias em períodos
secos, sem excesso, para evitar o aparecimento de fungos. |
| |
| Tratos culturais em viveiro |
| controlar as
plantas daninhas, manualmente, e observar a ocorrência de pragas e doenças. |
| |
| Pragas, doenças e outros predadores em viveiro |
| A principal
doença em viveiro é a antracnose, especialmente em épocas mais frias. Recomenda-se
diminuir a irrigação. As pragas mais comuns em viveiro são gafanhotos, brocas e
ácaros, estes em viveiro mal manejado e com pouca aeração. Animais silvestres tais como
capivaras, pacas e veados podem comer as plantas enviveiradas. Nesse caso, deve-se cercar
a área do viveiro. Roedores se alimentam das sementes. |
| |
| Preparo da área |
| com
critério, especialmente em solos de estrutura pesada ou compactados por usos anteriores.
Aração e gradagem são recomendadas, mas quando não for possível, abrir covas nas
dimensões de 30 x 30 x 30 cm ou mesmo de 40 x 40 x 40 cm. Usar áreas a pleno sol: a
pupunha não requer sombreamento, nem mesmo inicial. Em regiões com déficit hídrico, ou
quando do plantio de mudas não aclimatadas pode-se usar um sombreamento temporário
proporcionado por guandu, tefrásia ou crotalária, em linhas intercaladas no mesmo
espaçamento da pupunha. |
| |
| Espaçamento |
| para
produção de palmito: 2, 5 x 1, 0 m, 2, 0 x 1, 0 m, 1, 5 x 1, 0 m ou 2, 0x 1, 0 x 1, 0 m
(linhas duplas). Para a produção de sementes: 8 x 4 m. |
| |
| Adubação
de plantio |
| antes do
plantio, aplicar calcário dolomítico para elevar a saturação por bases a 50%.
Distribuir, se possível, 5 a 10 t/ha de esterco de curral ou composto de lixo curtido, no
sulco de plantio ou na cova, misturado com o adubo mineral fosfatado e potássio. De
acordo com a análise de solo, aplicar 70 a 140 kg/ha de P2O5 e até
60 kg/ha de K2O. Aplicar em cobertura, 30 dias após o transplante, ao redor da
muda, 20 kg/ha de N, repetindo esta dose mais duas vezes, a cada 2 meses (dispensar essa
adubação nitrogenada, caso tenha sido usado o esterco ou o composto). |
| |
| Adubação
de produção |
| De acordo com
a produtividade esperada (1 a 4 t/ha de matéria fresca de palmito) e com a análise de
solo, aplicar por ano, 110 a 300kg/ha de N, 0 a 80 kg/ha de P2O5, 20
a 260 kg/ha de K2O, 20 a 50 kg/ha de S e 1 a 2 kg/ha de B. A partir do quarto
ano, reduzir as doses de N em 30%. |
| |
| Tratos
culturais |
| não capinar,
apenas roçar, para não lesar o sistema radicular dessas palmeiras que ‚ bastante
superficial. Usar cobertura vegetal, tal como centrosema e caupi. |
| |
| Pragas
no campo |
| pode ocorrer
o ataque de um coleóptero grande do gênero Rhyncophorus e outros menores do
gênero Strategus. Controlar esses insetos através de iscas feitas com tronco
seccionado de bananeira sobre o qual se espalha uma mistura de melado de cana (atrativo) e
um inseticida específico. Há relatos do ataque de cupins às plantas jovens de pupunha
em regiões bastante infectadas com esses insetos. |
| |
| Colheita |
| entre 18 e 36
meses do plantio dependendo do solo, clima, espaçamento e adubação. Aos 18 meses, o
palmito terá entre 150 e 300 gramas de peso. Aos três anos, pode-se colher plantas até
com 500 gramas de palmito; não é aconselhável colher a idades superiores a essa, pois o
maior diâmetro do palmito trará problemas à industrialização por não corresponder,
eventualmente, a capacidade da embalagem (lata ou vidro). Escalonar a colheita com base no
diâmetro da planta (a 50 cm de altura): entre 10 e 14 cm é o indicado. Recomenda-se o
cone alto (50 a 80 cm), para reciclar os nutrientes para os perfilhos na touceira. O corte
do palmito pode ser feito durante o ano todo, evitar, porém, o corte na época seca, em
função de seu menor peso. |
| |
| Periodicidade
de colheita |
| é bastante
variável, dependendo do material genético, clima, solo e técnicas de exploração e
cultivo. Nas condições brasileiras e para o tipo de palmito de maior aceitação no
mercado (acima de 2,5 cm de diâmetro), é esperado colher, no máximo, 2 palmitos por
planta ao ano, sendo mais sensato fazer apenas uma colheita anual. |
| |
| Desbastes
de perfilhos |
| por ocasião
da colheita, fazer o desbaste dos perfilhos em excesso, deixando 4 a 6 por planta, com
altura entre 25 e 30 cm. Os perfilhos pequenos, abaixo dessas medidas, não são cortados.
Os perfilhos grandes a manter devem estar bem distribuídos na touceira e ser escalonados
para propiciar colheitas periódicas. Quando o objetivo é produção de frutos e/ou
sementes, o manejo de perfilhos não é feito. Deixar a planta crescer sem desbaste,
cortando posteriormente alguns estipes em excesso na touceira e utilizando-os para a
produção de palmito. |
| |
| Produtividade |
| consegue-se
uma produção de palmito de primeira em torno de 1,3 a 1,8 toneladas por hectare ao ano,
iniciando-se a colheita 18 meses após o plantio. Igual produção é obtida da parte
basal (palmito caulinar) e do ápice ("picadinho"). |
|
| Fonte:
Boletim 200 da IAC-SP |
|
|