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Aplicação localizada de água permite colheita o ano todo e aumenta a produtividade

Depois de investir na irrigação localizada em seu sítio em Mogi Mirim na região de Campinas (SP), o produtor CirineuAvancini está produzindo jiló o ano inteiro. A tecnologia introduzida pelo horticultor em sua propriedade, há pouco mais de umano, permitiu também vários outros benefícios, como o aumento significativo da produtividade e a diminuição dos gastos com o cultivo.

Utilizando o atual processo de irrigação (a técnica foi importada da Espanha, e é conhecida também pelo sistema de gotejamento por transpiração), a produção, em seu sítio, aumentou de 300 para 500 caixas de 21 quilos a cada mil pés de jiló. "Os investimentos em alta tecnologias compensaram, mesmo para o plantio de uma cultura que não tem muita expressão, como é o caso do jiló", comenta.
Animação - O produtor diz que já recuperou praticamente todo o investimento feito - cerca de R$ 3,5 mil - para equipar o sítio com o novo sistema de irrigação. O resultado obtido, com o aumento da produção, deixou o sitiante animado a ponto de triplicar o cultivo do legume, que passará a ocupar 3 hectares da sua propriedade.Avancini começou, no mês passado, a preparar as novas áreas para substituir a atual plantação, que está em fim de safra.

O produtor constatou, ainda, que o sistema de irrigação por aspersão localizada tem um custo menor em comparação ao sistema convencional de irrigação - aquele que lança jatos de água sobre as plantas.

O equipamento mostrou que vai bem até em propriedades que não dispõem de muita água. "A irrigação por transpiração reduz os gastos com a mão-de-obra e consome menos energia elétrica", constata Avancini, que liga o equipamento em média três horas por dia e não precisa contratar funcionários para acompanhar o processo. "A redução dos gastos permitiu os investimentos e a modernização do cultivo do jiló", acrescenta o produtor

Água Controlada

Os benefícios não param por aí. O controle da água, feito pelo próprio equipamento, não deixa a cultura úmida e não provoca o surgimento de fungos, o que poderia provocar doenças no jiloeiro. " O centro das ruas não chega a ser molhado, o mato praticamente não nasce no local e os pés crescem saudáveis", diz. O produtor, durante quatro anos, utilizou método convencional de irrigação artificial, sem obter o mesmo sucesso. "O sistema antigo, além de ter custo maior, molha toda a planta, o que facilita o surgimento de doenças."

A técnica que o produtor utiliza atualmente em sua propriedade permite ainda injetar fertilizantes diretamente no caule da planta, o que representa mais economia, sem desperdiçar o produto. "Outra vantagem é que não precisamos destacar um funcionário para fazer esse tipo de serviço", diz o produtor, que toca a cultura de jiló apenas com a ajuda da família.

A irrigação por transpiração localizada funciona com um motor de apenas 3 HP, cano de 2 polegadas para uma vazão de 10 mil litros de água por hora, além de um filtro para tirar as impurezas.

A água chega até o jiló através de uma fita, fabricada em poliéster e revestida em resina acrílica, o que proporciona maior durabilidade. "Ao contrário do sistema israelense de irrigação, a fita da técnica espanhola não possui furos", explica o produtor, que precisou de cerca de 2 mil metros do acessório para equipar a plantação de 1 hectare de jiló.

O cultivo da hortaliça de origem africana é uma atividade basicamente familiar, pois não exige muito cuidado e pode até garantir bom lucro. O jiló é um dos produtos que têm pouca oscilação de preço no mercado. Dessa forma, o produtor tem condições de prever os gastos com a cultura.

Tudo Manual


O plantio, a condução e a colheita do jiló são manuais, apesar de o produtor usar no Sítio Santo Antonio tecnologia de ponta na irrigação. O jiló comestível é vendido ainda verde. É bastante utilizado em saladas, mas pode ser servido também frito, abafado e em conservas. O fruto do jiloeiro tem sabor amargo acentuado. Por esse motivo é muito recomendado para os que sofrem dos males do estômago. Quando amadurecem, a polpa e a semente têm outras utilidades. Tornam-se, por exemplo, alimento muito rico em vitaminas para os pássaros. A ave, ao consumi-las, tem melhora significativa da plumagem e do canto.